Não tem quem não ache essa pergunta estranha, algumas mães olham com cara preocupada pensando que podem ter esquecido de algo importante, e, enquanto muitos só pensam em fugir da agulha, outros já vão logo arregaçando as mangas e falam: “pode vacinar”!

Mas a Campanha de Vacinação do Bola na Rede é um pouco diferente, aqui crianças e adolescentes foram treinados para vacinar contra os maus tratos, uma iniciativa do Claves Uruguai, desenvolvida no Brasil pela parceria entre Rede Mãos Dadas e Claves Brasil.

Quando os adultos entendem do que se trata eles logo dizem que nunca foram vacinados e os adolescentes explicam:

– Essa vacina é uma bala, para que você se lembre da doçura de uma criança. Assinando esse cartão de vacina você se compromete a respeitar e escutar a criança, acreditar nela, defender seus direitos e proteger as crianças. E todas as vezes que você vir uma criança sendo maltratada ou abusada você deve ligar pro disque 100? Você quer ser vacinado?

Apesar de alguns nãos, a equipe de quase 900 voluntários, grande parte adolescentes das igrejas e projetos parceiros, vacinou mais de 17 mil pessoas durante os dias das Olimpíadas 2016. Essa galerinha registra aqui suas impressões sobre os dias de mobilização:

Rebeca, voluntária.

Um movimento sensacional!

Rebekah Tinôco, 14 anos, da Igreja Batista Central em Bom Sucesso, acha importante participar dessa campanha porque “as crianças são seres humanos espetaculares, essa injustiça que acontece com as crianças é extremamente grande, não só no Brasil, mas no mundo. Precisamos lembrar as pessoas da doçura da criança, lembrar que ela é um ser humano inocente e a gente precisa protegê-la dos maus tratos e incentivar a denúncia. Esse é um movimento sensacional que está alcançando muita gente!”

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Que injustiça!

Thais Queiroz tem 15 anos, é Bola na Rede pelo CADI Maré, e sentiu na pele aquilo que ela veio combater: maus tratos. Ela conta “a experiência que estou tendo aqui não é a mesma que eu tive no centro (Praça XV), hoje eu me deparei com uma moça que ela achou que eu e uma outra criança íamos roubar ela, ela ficou meio assustada. No fim de tudo ela não quis ouvir a gente, a gente ficou meio triste… acho que as pessoas não estão parando pra gente porque a gente é criança e estão parando pra tia Vivi (adulta), isso é uma injustiça!

marquinhosTem gente fazendo coisa errada!

Marquinhos tem apenas 8 anos, ele é da Igreja Batista Peniel, na Ilha do Governador e para ele as coisas são simples: “tem gente aqui fazendo a coisa certa, mas tem gente que está fazendo a coisa errada. A gente está aqui porque as crianças não podem morrer, elas são só crianças.”

 

sheillaSe liga adultos!

Sheilla Cintra, 17 anos, da Igreja Batista Central em Bom Sucesso, e gostou de poder interagir com diferentes tipos de pessoas. Mas ficou de olho na reação dos adultos e deixa um recado importante: Às vezes os adultos nos ignoram por sermos simplesmente crianças e adolescentes. “Ah, tem pouca idade, um dia vão crescer e saber como que é” e “nós sabemos mais”. Não, não é isso, crianças e adolescentes sofrem todos os dias, sofrem com trabalho infantil, sofrem abusos sexuais, sofrem maus tratos… Eu tive uma experiência com uma mãe e duas filhas, as filhas eram adolescentes, eu fui abordar ela e a mãe não quis dar ouvido, foi ignorante comigo e com meus amigos. E as filhas adolescentes ouviram a gente e quiseram saber mais sobre aquilo. Perguntei se elas queriam participar da vacinação, e a mãe ignorou e a filha, totalmente, falou ‘eu quero participar, eu quero saber sobre isso’. Ela perguntou sobre o site e sobre a vacinação e a gente pode ver como são as coisas.

O protagonismo infanto-juvenil é uma das grandes bandeiras do Bola na Rede e, claro, nossa equipe não seria medalha de ouro em proteção e prevenção sem esses jovens cheios de energia.

Depois do encerramento das Olimpíadas a equipe agora se prepara para as ações das Paraolimpíadas, que acontecem aqui no Rio de Janeiro mesmo, de 7 a 18 de setembro.

Participe! Sua igreja ainda pode ser medalhista olímpica e integrar a equipe do Bola na Rede, faça contato com a Jovani pelo (21) 99417-8456 (whatsApp.)

Tábata Mori

Missionária da Igreja Presbiteriana do Brasil, jornalista voluntária do BNR