clenirClenir Santos, da organização parceira Lifewords, também está representando o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) e dando apoio às ações do Bola na Rede e do It’s a penalty. Segundo ela, “esses grandes eventos provocam muita violação de direitos das crianças e adolescentes, então, é o momento certo pra gente estar aqui conscientizando a população que é de fato uma infração gravíssima não atender aos direitos das crianças e adolescentes.”

Em 2015[1], uma média diária de 50 denúncias de violência sexual contra a criança e o adolescente foram registrados pelo Disque 100, principal canal de denúncia para qualquer violência contra a criança. Se juntarmos todas as formas de denúncia através de Conselho Tutelar, Delegacias e outros, este número pode chegar a 200. Com um agravante de que no ano da Copa, o registro do Disque 100 foi 30% maior para este tipo de violência.

LexisAlém da exploração sexual, as pessoas abordadas têm chamado atenção para o tráfico de pessoas, inclusive crianças e adolescentes, muitas vezes para fins de exploração sexual. Lexis, uma turista estadunidense apoiou a iniciativa e afirmou: “o tráfico de pessoas é uma das maiores indústrias do mundo neste momento e precisamos sensibilizar pessoas de que isso não é certo. Muitas pessoas têm sofrido… essa é a opressiva escravidão moderna.”

Segundo a organização 27million Brasil, com quem o Bola na Rede realizou algumas ações em parceira durante a Copa 2014, quando a campanha começou acreditava-se que cerca de 27 milhões de pessoas estariam em situação de tráfico, hoje, este número pode chegar a 35 milhões. Segundo a Unicef[2], mais de 1,2 milhão de crianças são traficadas a cada ano.

SerguemEmbora as Olimpíadas e o Rio de Janeiro sejam a ocasião e a hora certas, a luta continua. Segundo Serguem Jessuí, da parceira Tearfund, a Campanah Bola na Rede tem sido “um trabalho de muito empenho, de muito entusiasmo, de muito compromisso, sobretudo pensando no Reino de Deus, de como integrar, trabalhar a unidade do Corpo de Cristo, é um legado extraordinário que ficou na Copa e agora também nos Jogos Olímpicos e a gente espera que isso tenha continuidade com as organizações se encontrando, debatendo e buscando estratégias para continuar a enfrentar esse problema, que é um problema de muitos anos e certamente vai continuar presente, mas a igreja tem um papel fundamental, não somente de ter uma palavra para esta realidade, mas demonstrando sua eficácia através de ações como esta.”

O Bola na Rede segue suas ações de sensibilização, vacinação contra maus tratos e incentivo à denúncia até o último dia das Olimpíadas e também na Paraolimpíadas. As ações realizadas até aqui alcançaram mais de 8 mil pessoas e devem superar a meta de 10 mil pessoas sensibilizadas.

 

Tábata Mori

É missionária da Igreja Presbiteriana do Brasil e jornalista voluntária do Bola na Rede.

 


[1] http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2016-05/denuncias-de-violencia-sexual-chegam-quase-50-por-dia

[2] http://dc.clicrbs.com.br/sc/colunistas/viviane-bevilacqua/noticia/2016/08/campanha-contra-o-trafico-humano-causa-surpresa-nas-ruas-do-rio-7287119.html