por Maria Leolina Couto Cunha

Fonte: aliancaevangelica.org.br

 

Nesse artigo faremos uma breve exposição dos principais mitos relacionados ao abuso sexual de crianças e adolescentes. As dicas que iremos dar aqui serão muito úteis, principalmente para ajudar os pais a prevenir o fenômeno.

Segundo CHARAM (1997: 24), a etimologia da palavra “mito” se origina do grego mythos que quer dizer fábula. O incesto, principalmente quando envolve crianças e adolescentes é marcado por mitos historicamente constituídos, que por sua vez acabam fortalecendo e respaldando o fenômeno. Vamos a seguir desfazer alguns desses mitos mostrando a verdadeira face do abuso sexual doméstico na infância:

 

Mito 1 – A maioria das pessoas acredita que as crianças possuem imaginação fértil e por isso, quando alegam estarem sofrendo um abuso sexual, estão simplesmente fantasiando uma história.

Verdade 1 – AZEVEDO e GUERRA (2000), citando MCGRAW (1987), revela que só 8% das crianças costumam faltar com a verdade quando o assunto é vitimização sexual e que desses 8%, cerca de ¾ das histórias inventadas pelas crianças são induzidas por adultos.

 

Mito 2 – No imaginário popular acredita-se que o abusador sexual é um psicopata, um tarado que todos reconhecem na rua. Os pais, muitas vezes só se preocupam em alertar os filhos sobre o cuidado com pessoas estranhas.

Verdade 2 – Segundo ALLENDER(1999) a maioria dos abusos ocorre por parte de membros da família (29%) ou por alguém conhecido da vítima (60%). AZEVEDO e GUERRA (2000) afirmam que 85-90% dos agressores são pessoas CONHECIDAS das crianças. Logo, é fundamental alertar para a realidade de que o perigo pode vir da parte de quem está perto e não apenas de pessoas estranhas.

 

Mito 3 – Os pais acreditam que a vitimização sexual de crianças é algo raro e que tal coisa jamais acontecerá com seus próprios filhos.

Verdade 3 – Segundo AZEVEDO e GUERRA (2000) pesquisas revelam que 1 em 3 a 4 meninas e 1 em 6 a 10 meninos serão vítimas de abuso sexual até a idade de 18 anos.

 

Mito 4 – O tempo cura todos os males e a criança vitimizada sexualmente esquecerá a experiência se ninguém ficar relembrando o assunto.

Verdade 4 –  A criança nunca esquecerá um abuso sexual do qual foi vítima. Segundo KORNFIELD (2000): “Às vezes…há uma amnésia total. No entanto, o abuso ainda vive no plano inconsciente.” Os pais, cujos filhos foram vitimizados sexualmente, devem sempre buscar ajuda. Esconder um caso de abuso sexual debaixo do tapete pode custar muito caro à saúde emocional da criança e de sua família.

 

Mito 5 – Quando a criança ou o adolescente permitem os avanços sexuais do agressor sem esboçar uma resistência, não existe abuso sexual.

Verdade 5 – A criança e o adolescente nunca devem ser vistos como culpados. O agressor, para executar o abuso sexual, pode recorrer a diferentes métodos. Entretanto, quer seja usada a força, ameaça ou indução da vontade, sempre existirá nessa relação uma desigualdade de poder, onde o adulto leva vantagem sobre a vítima que ainda não possui estrutura física e emocional suficiente para se defender de um ataque dessa natureza.

 

Maria Leolina Couto Cunha

Especialista na Área do Enfrentamento da Violência contra Crianças e Adolescentes

Professora Universitária. Advogada. Master Coach. Analista Comportamental.
Referências Bibliográficas:

ALLENDER, Dan. Lágrimas secretas: cura para as vítimas de abuso sexual na infância. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.

AZEVEDO, M.A. e GUERRA, V.N.ª (2000). Telecurso de Especialização na Área da Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes. São Paulo.2000.

CHARAM, Isaac. O estupro e o assédio sexual. Rio de Janeiro: Record: Rosa dos Tempos, 1997.

KORNFIELD, Débora. Vítima, sobrevivente, vencedor! Editora Sepal, 2000