Começou na tarde de ontem (dia 10), em Brasília, DF, a 2ª Consulta Teologia da Criança, com o tema “A Criança, a Igreja e a Missão”. A primeira aconteceu em setembro de 2006, em Itu (SP). O evento reúne um grupo convidado de pastores, pastoras, missionários e missionárias que trabalham com a infância, além de representantes de organizações evangelísticas e sociais. Cerca de 40 pessoas estão presentes.

A 2ª Consulta tem a presença de Dan Brewster, autor de A Criança, a Igreja e a Missão e doutor em missiologia, diretor de programas acadêmicos da Compassion International e consultor para seminários e instituições cristãs sobre programas para o desenvolvimento integral da criança.

Neste primeiro dia, Brewster abordou o tema “Criança”. Segundo ele, “devemos ler a Bíblia procurando pela criança, perguntando onde ela está e o que está fazendo ali”. Ao procurarmos, vamos perceber que mais textos do que imaginamos falam das crianças. Por exemplo: quando Deus decretou que os israelitas deveriam passar sangue nos umbrais das portas, por trás estavam os primogênitos; quando Deus falou ao povo que guardasse os mandamentos, era para que ensinassem aos seus filhos.

“Quanto mais a gente estuda e mais a gente ensina, mais a gente descobre sobre a criança na Bíblia. Ao todo, encontramos mais de 1.500 citações que falam sobre o cuidado de Deus para com as crianças, sobre a expectativa de que nós, adultos, cuidemos das crianças, o alto apreço pela capacidade da criança ou como Deus usa as crianças para seus propósitos. Como temos entendido agora, estes textos têm significados profundamente teológicos”, afirma o missiólogo.

O ponto de partida da Teologia da Criança é o texto registrado em Mateus 18, quando os discípulos discutiam entre si “quem é o maior?”. Em resposta, Jesus coloca uma criança no centro da roda e desafia os discípulos a serem como ela. Segundo Brewster, a Teologia da Criança tem séria preocupação em saber o que isso significa para nós, hoje.

Segundo ele, como missiólogo, foi importantíssimo trabalhar com organizações que atuam com crianças e adolescentes em situação de risco, pois a experiência o fez olhar para a missão com a criança de forma mais abrangente. E foi aqui no Brasil, em São Paulo, que Brewster teve as experiências mais intensas conhecendo crianças em situação de rua e visitando os viadutos.

Por outro lado, esta mesma realidade “mostra o quanto as crianças não são queridas ou como nós não a queremos”. O número de abortos lá em cima e número de filhos, em especial entre os cristãos, lá embaixo mostram como as crianças não são bem-vindas. Segundo ele, “são os ocidentais e cristãos o maior grupo que decidiu ‘não queremos ter mais filhos’”.

A criança que silencia satanás

Dan Brewster continuou abordando mais claramente sobre a criança. Ele disse: “quando leio a Bíblia, tento achar a criança nos textos, e sempre acho: o nascimento de Jesus; Jesus recebendo as crianças; as diversas referências sobre famílias, Jesus ressuscitando três pessoas, sendo duas crianças; problemas de casamento e divórcio, com impacto sobre a criança; situações em que as crianças têm maior percepção que líderes adultos ao reconhecerem que ele é o Filho de Davi.”

Brewster ainda pergunta: “Existe algo mais assustador do que esta fala de Jesus: ‘a não ser que você seja assim como esta criança, não entrará no Reino?’”. Ele ressaltou que precisamos reagir a esta afirmação de Jesus. Outra declaração surpreendente de Cristo é quando ele fala (em Mateus 11) que se Sodoma e Gomorra tivessem visto os milagres que eles experimentaram, teriam se arrependido. Então, Jesus ora: “eu te louvo, Pai, Senhor dos céus e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e cultos, e as revelaste aos pequeninos”. (Mt 11.26). Isso nos leva a fazer outra pergunta: “O que está escondido de nós?” Para Brewster, esta é uma reflexão teológica que, de fato, precisamos fazer.

Brewster continua a preleção fazendo uma leitura interessante do Salmo 8 — um poema de louvor a Deus, mas que possui um versículo que parece estar perdido. O que um bebê de peito pode dizer ou fazer? Ele apenas louva a Deus por causa da existência. Sim, o pé, a mão, a boca, tudo foi feito para louvar a Deus. Mas Brewster diz: “e na segunda parte do versículo, quem é o adversário e vingador?” “satanás”. E porque o som desse bebê faz silenciar satanás? O que ele diz? No mínimo, ele diz: “eu sobrevivi! Eu estou vivo, eu sobrevivi e vou crescer, eu tenho muitas possibilidades!”

Imagine que você está do lado de satanás e ele quer tirar todo o foco de Deus. Ele olha para a violência no Brasil e diz “estou indo bem”, olha para o número de abortos e diz “estou indo muito bem”, mas então ele ouve o choro de um bebê e ele se silencia; porque o bebê louva a Deus, satanás é derrotado. “Se isso não for teologia na sua forma mais básica”, diz o preletor, “eu não sei o que é”.

Esta leitura do Salmo 8 foi a que mais impactou os presentes, alguns chegaram a dizer: “eu realmente entendi o choro de uma criança, e ela estava brigando com satanás!”.

Brewster terminou sua falta, desafiando-nos mais uma vez a ler as Escrituras novamente, agora procurando pela criança. Leia e pergunte-se: “Por que esta criança está aqui?” Procure a criança e coloque a criança no meio da roda, como Jesus fez.

Serviço:
2ª Consulta Teologia da Criança
Tema: A Criança, a Igreja e a Missão
Data: 10, 11 e 12 de junho de 2015
Local: Brasília, DF
Articulação: Rede Mãos Dadas
Realização: Editora Ultimato, Visão Mundial e Compassion
Apoio: Aliança Cristã Evangélica Brasileira e RENAS

Leia também
Uma criança os guiará
Virar criança? (Valdir Steuernagel)
Maioridade penal

Legendas das fotos:
1. Público presente na consulta / Fotógrafo: James Gilbert
2. Dan Brewster, autor de A Criança, a Igreja e a Missão / Fotógrafo: James Gilbert
3. Carlinhos Queiroz (autor de Ser é o Bastante) e Klênia Fassoni (diretora da Editora Ultimato) estão presentes na consulta. / Fotógrafo: Benjamim César

Texto de Tábata Mori, assessora de Comunicação da Campanha Bola na Rede