Já se perguntou como pode levar a temática da violência sexual para ‘dentro da igreja’? E principalmente, o que fazer para prevenir e enfrentar as questões?

Veja a seguir um trecho do artigo: O papel da Igreja na prevenção da violência contra crianças e adolescentes.

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“Para que a igreja inicie um processo de discussão e compreensão dessa temática deverá levar em conta aspectos muito importantes, tais como:

a) Abordagem positiva da sexualidade, rompendo os limites dos aspectos biológicos da educação sexual. Conhecer os aspectos físicos, biológicos, psicológicos e relacionais (afetos, vínculos e valores) de cada etapa do desenvolvimento da sexualidade da criança e do adolescente é a melhor maneira de vivenciar experiências saudáveis, protetoras e positivas.

b) Promoção de bons tratos como um aspecto da justiça do Reino de Deus. A tarefa profética de denúncia do pecado – com vistas à responsabilização daqueles que cometem algum tipo de violência – e anúncio da restauração e cura às vítimas, deve combater ainda os sistemas sociais e culturais que favorecem a existência e manutenção da violência.

c) A Igreja como comunidade sanadora. Capacitar-se para acolher, acompanhar e responder às vítimas, mas também aos vitimizadores, ou seja, os autores de violência, incluindo quando possível os encaminhamentos técnicos devidos (psicólogos, assistentes sociais, médicos, etc.) Todos devem saber que a graça de Deus está disponível para a superação de traumas e tentações, e que as igrejas podem ser refúgios de segurança de cura de todas as vítimas de violência doméstica, independentemente da idade.

d) Tomar consciência da universalidade do Abuso Sexual e da existência de vítimas e agressores, de crenças e sistemas sociais que favorecem e mantém as situações de abuso sexual, dentro e fora do ambiente eclesiástico.

e) Ser um espaço de segurança e confiança que garanta o desenvolvimento pleno de seus membros, sendo modelo das relações saudáveis do Reino de Deus, baseadas no amor e no respeito mútuo, e não no poder. Todas as crianças dependem pais ou responsáveis para protegê-las. Quando a proteção não está disponível em seus lares e quando um dano ou algum tipo de rejeição é vivenciada, devem contar com o apoio de sua comunidade de fé, como foi efetivamente demonstrado por Jesus (Mt 18,5-6).

A partir dessas orientações gerais uma série de atividades poderão ser estimuladas:

  • Promover debates, palestras, cursos, seminários, etc., com pessoas especializadas que possam oferecer uma visão mais abrangente e esclarecedora. Esta prática visa fornecer aos programas realizados pela igreja instrumentos que favoreçam fatores protetores em seus membros, especialmente nas crianças e adolescentes.
  • Aprofundar a reflexão bíblico-teológica entre seus membros sobre a questão violência. Analisar criticamente os textos bíblicos relacionados à temática, observando os aspectos históricos e culturais que os permeiam.
  • Inserir o tema o tema de forma permanente nos motivos de oração.
  • Desenvolver o papel protetor das famílias e da comunidade.
  • Criar ou fortalecer a prática do aconselhamento cristão, capacitando seus membros e líderes
  • Desenvolver políticas próprias de proteção infantil na Igreja e em seus programas (escolas bíblicas, retiros, acampamentos, passeios, etc.) ou suas instituições dependentes (creche, escolas). Compoem como itens básicos de uma política de prevenção:
  • Desenvolver ações de acompanhamento de famílias de alto risco e vulnerabilidade.
  • Aprender a trabalhar em redes sociais cristãs e não-cristãs, privadas e estatais, ligadas ao tema, pois é uma maneira efetiva de enfrentar a multifatorialidade e complexidade do tema.
  • Manter a esperança e o compromisso, apesar dos fracassos, confiando em tudo o que Deus pode fazer, apesar de suas limitações.

Um programa amplo poderá também proteger o pessoal que lida diariamente com crianças e adolescentes de eventuais falsas acusações de abuso. Embora casos como estes sejam a minoria (menos de 5% das acusações) a criança deve ser acreditada e a situação investigada. Esta preocupação demonstra o reconhecimento do trabalho das pessoas dentro das igrejas e em seus programas.

Nenhum plano será completo, infalível, ou o melhor para qualquer situação, mas cada vida deve ser valorizada, e todo esforço para discuti-lo, redigi-lo, colocá-lo em prática e monitorá-lo revela uma profunda consideração por aqueles que são as maiores vítimas da violência, as quais não podem defender-se sozinhas e carecem, portanto, da proteção dos adultos comprometidos com um evangelho de paz, justiça e restauração.”

FONTE: Teologizar: verbo reflexivo e direto

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