Brasília – O Pronatec Copa Social, um projeto que qualifica jovens em situação de vulnerabilidade, vai atender vítimas de exploração sexual. O Ministério do Turismo e o Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria (Sesi) acabam de firmar parceria que permite que os jovens atendidos pelo projeto ViraVida, do Sesi, e seus familiares, sejam incluídos no Pronatec Copa Social.

O programa do MTur vai oferecer 37 cursos, entre eles, garçom, barista e auxiliar de cozinha. Inicialmente o programa irá atender as cidades de Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Cabo de São Agostinho, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Foz do Iguaçu, Goiânia, João Pessoa, Maceió, Manaus, Natal, Parnaíba, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, São Paulo, Vitória e Uruguaiana.

“É uma oportunidade de incluir os jovens da situação de vulnerabilidade e inseri-los no mercado de trabalho”, disse o secretário nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo, Fábio Mota.

Os órgãos municipais de turismo vão atuar como parceiros na realização das pré-matrículas. A publicidade e a organização da demanda serão de responsabilidade das regionais do Sesi.

O Projeto ViraVida atende jovens de idade entre 16 e 21 anos vítimas de violência sexual. Por meio de um processo socioeducativo, são oferecidos cursos profissionalizantes conforme o perfil e as expectativas das vítimas.

O Ministério do Turismo lançou no mês passado o Manual do Multiplicador – Projeto de Prevenção à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes no Turismo, em Brasília.

A publicação, com cerca de 100 páginas, orienta professores, gestores públicos, líderes comunitários, organizações não governamentais e envolvidos no setor de turismo em ações de combate à violência e à exploração sexual de crianças e adolescentes. “O material é referência nas ações de capacitação voltadas para o tema”, disse o secretário nacional de Políticas de Turismo, Vinicius Lummertz.

A publicação foi coordenada pelo Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília e busca formar uma rede para enfrentar o problema em qualquer destino turístico do país. “É uma batalha que precisa da conscientização e participação da sociedade e dos envolvidos na cadeia produtiva do turismo”, disse o coordenador geral de Proteção à Infância do MTur, Adelino Neto.

O livro traz casos de sucesso, como o programa que mapeou empresas e associações do setor de turismo, qualificando profissionais no Estado do Pernambuco.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), em todo o mundo cerca de 150 milhões de meninas e 73 milhões de meninos menores de 18 anos são submetidos a relações sexuais forçadas ou outras formas de violência ou exploração sexual.

No Brasil, a exploração sexual de crianças e adolescentes ocorre principalmente nas regiões de praia, nas fronteiras estaduais e internacionais. O estado que apresenta o maior número de denúncias é o Rio de Janeiro (1.951), seguido da Bahia (1.942) e de São Paulo (1.826). Os dados são do Ministério da Justiça, de 2012. No ano passado, foram registradas 18,3 mil denúncias no País. 

Para a Rede Global de Proteção às Crianças, o aumento do turismo leva a índices maiores de exploração sexual de crianças. Segundo a organização, 76% das crianças exploradas sexualmente são menores de 10 anos.