Em Curitiba a equipe do Bola na Rede se mobiliza e atua a partir de grupos de trabalho para desenvolver ações tais como Capacitações, Fóruns, Política de Proteção e outros.

O grupo compartilha abaixo o relato do impacto de uma capacitação. O grupo já desenvolveu aproximadamente 10 capacitações no ano de 2013.

“ Numa turma de 17 pessoas, sendo 12 alunos de um curso, estavam diante de nós esperando algo que pudesse justificar ouvir sobre um assunto muito pesado e difícil. Víamos expressões estranhas, caras fechadas, olhos arregalados e um desconforto visível no semblante e na postura daqueles que nos ouvia. De repente começaram perguntas que apontavam para algo que havia acontecido em suas vidas. No intervalo, uma moça aproximou e disse: “ Sabe,  dois tios abusaram de mim, a minha mãe foi abusada pelo pai dela e meu recente marido abusou do meu irmãozinho de 7 anos. A pouco me separei dele por causa disso”.

Uma outra com aparência estranha, olhar gélido, cara de poucos amigos, havia quase 3 meses de curso e ela ainda não tinha aberto nada sobre sua vida. Eu consegui de alguma forma sentir a dor daquela moça que mais parecia um ser blindado. Outras duas pessoas, enquanto falávamos sobre os tipos de violência, tinha uma visível inquietação.

No final do primeiro dia, usamos a dinâmica do limão, como parte da ministração final. Cortamos e colocamos os pedaços de limão sobre a mesa e fizemos a relação do azedo com a dor, frustração, humilhação, sentimento de derrota e tristeza que os abusos causaram na vida deles e entoamos um louvor lindo. Quando parei de orar, eu vi uma das cenas mais marcantes da minha vida: essas pessoas indo em direção ao limão, alguns não conseguiram chegar até a mesa, ouvi um choro de profunda dor. Pedi que os líderes da organização fossem até cada um e ministrasse na vida deles. Depois de um tempo, pegamos um chocolate e entregamos a cada um simbolizando o amor redentor do Pai, simbolizando o caminho da cura e cuidado de Deus.

Quando pensei que havia terminado, um rapaz de 25 anos aproximou-se de mim com os olhos inchados de tanto chorar, e me disse: “ Preciso confessar se não meu peito vai explodir:  Eu abusei de algumas meninas de 12 e 13 anos ou até menos. Eu era um louco drogado, a dor que eu estou sentindo é grande demais, pois não sabia que era tão grave assim. Em soluços, aquele jovem me perguntou: Será que Deus vai me perdoar?

Então eu o abracei e disse que sim, que Deus  o perdoaria.

No segundo dia aquela moça que não havia aberto sua vida até então, procurou um dos líderes e se derramou como se estivesse tirando a tampa de uma enorme lata de lixo, terríveis foram as coisas que ela compartilhou. Dos 12 participantes, 5 deles passaram por abuso sexual e outros sofreram abuso físico severos.

No encerramento da capacitação, eles elogiaram nossa iniciativa e ficaram surpresos como passamos dois dias falando de coisas tão pesadas mas de forma leve e descontraída.”  

 

**ORE

PARA QUE O BNR CURITIBA CONTINUE IMPACTANDO A POPULAÇÃO.

PARA QUE OS MEMBROS DO GRUPO CONTINUE SENDO USADOS POR DEUS.